Pesquisa entra na pauta do debate

Brasília (Ag.Senado) – A falta de convicção do voto declarado pelos entrevistados e a anulação involuntária do voto — em razão da inabilidade de muitos eleitores com a urna eletrônica — estão entre os fatores que explicam a disparidade dos números das

pesquisas eleitorais em relação aos resultados do primeiro turno das eleições gerais de 2014, afirma o estatístico Marcos Oliveira, do DataSenado. Uma das discrepâncias verificadas diz respeito à guinada do candidato Aécio Neves (PSDB), que ultrapassou e venceu com boa margem Marina Silva (PSB), passando para a disputa no segundo turno contra Dilma Rousseff (PT). No primeiro turno, Dilma teve quase 42% dos votos válidos, Aécio teve perto de 34% e Marina, 21%.

A pesquisa Datafolha de 4 de outubro (um dia antes da votação) apontou 44% para Dilma, 26% para Aécio e 24% para Marina. “Eu também acredito que os indecisos tiveram papel preponderante nesses resultados, e indeciso é difícil você mensurar”, diz o estatístico.

Os institutos de pesquisa mais conhecidos, como Ibope e Datafolha, registraram uma média de 7% de indecisos nos últimos levantamentos feitos antes do primeiro turno. À tomada final de posição dos que se declaravam indecisos, e que aparentemente em sua maioria votaram em Aécio, soma-se outra variável importante: a incapacidade dos institutos de medir se a intenção de voto se concretiza, já que o eleitor pode mudar de ideia, registra Marcos Oliveira.

Além disso, os entrevistados podem ter indicado para os entrevistadores voto diferente daquele que pretendiam dar, seja por vergonha, desinteresse ou desconfiança em relação ao instituto pesquisador. “Os resultados foram mesmo surpreendentes, evidenciam a limitação das pesquisas e servem como lição: é um alerta para a gente ler os levantamentos de intenção de voto com cuidado”,   pondera Marcos.

Ele acrescenta, porém, que as distorções são às vezes superestimadas porque o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) divulga somente os votos válidos (total dos votos menos nulos, brancos e abstenções) enquanto as pesquisas consideram todos os votos (incluindo, portanto, nulos e brancos). ”É necessário comparar valores semelhantes, o que diminuiria a sensação de discrepância entre os resultados.

Marcos Oliveira ressalta que, conforme têm dito os próprios institutos, as pesquisas detectam tendências, não podem ser consideradas um retrato fiel da realidade.

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