Pesquisidores do CB e IMT explicam os tipos de Dengue registrados no estado

Chikungunya e o zika vírus entraram no território brasileiro, entre 2014 e este ano, mas ainda hoje continua difícil a identificação de um ou outro vírus, até mesmo depois de um atendimento médico. No entanto, para as autoridades de saúde pública, o importante é saber que essas duas novas doenças circulantes no Brasil são “primas” da dengue porque têm o mesmo transmissor: o Aedes aegypti.

Segundo as estatísticas, o zika já infectou, no mínimo, 18 pessoas no Rio Grande do Norte, número confirmado por meio de exames. Por outro lado, mesmo com milhares de casos suspeitos de chikungunya no estado, até agora nenhum deles foi comprovado em laboratório.

No caso de chikungunya, porém, os especialistas cogitam a possibilidade de um manejo incorreto das amostras de sangue que seguiram para laboratórios de referência fora do estado, já que a realidade nos pronto-atendimentos é diferente.

Não é raro encontrar relatos de pessoas que ficaram, em média, por uma semana com os sintomas característicos de chikungunya: dores e inchaços nas articulações. Esses dois sintomas associados à febre e moleza no corpo, segundo os especialistas, já geram as suspeitas da doença, originária da Tanzânia.

Como os relatos desse tipo não são raros e estados vizinhos já têm casos confirmados, a grande dúvida é o motivo de ainda não ter ocorrido uma confirmação por exames laboratoriais.

De acordo com a professora e pesquisadora do Instituto de Medicina Tropical (IMT) da UFRN, Mônica Bay, foram as amostras de sangue coletadas no Hospital Giselda Trigueiro, alvo de análise por laboratórios de referência fora do estado. A partir delas, que se confirmaram os casos de zika no estado, mas esse tipo de monitoramento começou ainda no ano passado quando surgiram os primeiros casos de chikungunya nos estados vizinhos.

Amostras e resultados

A professora e pesquisadora do Centro de Biociências (CB) e presidenta do IMT/UFRN, Selma Jerônimo, lembra que entre a coleta do sangue e o resultado do exame há todo um processo que deve acontecer num tempo adequado para identificar o vírus em uma determinada amostra de sangue.

“Nós temos que adotar um protocolo estabelecido. Então, tenho que colher a amostra no tempo “x”, processar num tempo “y”, colocar numa temperatura tal; e testar durante tanto tempo”, explicou.

Segundo a especialista “Alguns desses vírus podem se degradar com facilidade. Então, mesmo que a pessoa esteja contaminada, o exame pode dar negativo se esses procedimentos não forem seguidos”.

Entretanto, isso é apenas uma hipótese levantada pela presidenta, visto que ela não acompanha esse processo de perto. “Quando a gente olha que o exame não deu certo, a primeira possibilidade é que a pessoa não estava infectada. A segunda: houve algum problema no transporte ou armazenamento. Outra coisa: pode-se ter coletado a amostra da pessoa errada. A pessoa pode até ter sido contaminada, mas a coleta não ter sido feita no tempo que o exame detecta. Até o tempo ideal para coleta varia, porque depende como nosso corpo depura esses micro-organismos”, acrescentou Selma Jerônimo.

 Curiosidades

– Em geral, as fêmeas do Aedes Aegypti se alimentam do sangue de uma só pessoa para cada lote de ovos. Mas há relatos científicos de mosquitos que já infectaram cinco pessoas de uma mesma família antes da postura de um lote de ovos.

– O ciclo de alimentação e postura dos ovos pode ser repetido a cada três ou quatros dias, no caso da fêmea do mosquito da dengue.

– Aedes Albopictus é outro mosquito transmissor da doença. Embora tenha origem asiática, já é possível encontrar esse tipo de mosquito, infectado com o vírus da dengue, no Rio Grande do Norte

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